O mercado de leite iniciou junho mostrando uma mudança importante de comportamento.
Depois do movimento de queda observado no mês anterior, os principais indicadores voltaram a registrar valorização, indicando um ambiente mais equilibrado entre oferta e demanda durante o período de entressafra.
A recuperação apareceu de forma mais evidente no mercado industrial. O leite UHT registrou alta de 1,1% em relação a maio, enquanto o leite spot apresentou valorização ainda mais intensa, de 6,8%. O leite em pó também manteve o movimento positivo iniciado em maio, avançando 0,6% e alcançando o maior nível de preços desde junho de 2025.
A única exceção entre os principais derivados foi a muçarela, que permaneceu estável em R$ 35,10/kg, mostrando que parte do mercado já encontrou um ponto de equilíbrio mesmo diante da melhora das demais referências.
O comportamento dos preços sugere uma retomada do ritmo de recuperação do mercado, sustentada pelo período de entressafra no Brasil, que contribuiu para dar suporte às cotações dos derivados.
Enquanto a indústria passou a registrar sinais mais claros de valorização, o produtor encontrou um cenário de estabilidade. As projeções dos Conseleites indicaram pequenas oscilações entre os estados, sem alterações expressivas.
Santa Catarina apresentou a maior valorização projetada, de 1,8%, seguida pelo Paraná (1,6%) e Minas Gerais (0,5%). No Rio Grande do Sul, a projeção apontou leve recuo de 0,1%, movimento considerado moderado e compatível com um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda.
Outro fator relevante para a cadeia foi a redução dos custos de alimentação animal. Em junho, o preço do milho recuou 3,3% frente ao mês anterior, enquanto o farelo de soja apresentou queda de 3,1%.
Também houve retração nos indicadores pecuários. O preço do boi gordo caiu 2,8%, e o do bezerro apresentou redução de 0,9% em comparação com maio.
No ambiente macroeconômico, o período foi marcado pela desvalorização do real frente ao dólar. Ao mesmo tempo, a expectativa de crescimento do PIB para 2026 aumentou de 1,89% para 1,98%, indicando perspectivas mais favoráveis para a atividade econômica.
Quando os movimentos são observados em conjunto, junho deixa uma sinalização importante para a cadeia láctea.
A recuperação dos preços dos derivados, associada à estabilidade nas projeções para o produtor e à redução dos custos de alimentação, mostra um mercado que volta a operar em condições mais equilibradas após a pressão observada anteriormente.
Mais do que uma mudança pontual nas cotações, o mês revela uma melhora simultânea em diferentes indicadores que influenciam a competitividade do setor.






