Uma peça de queijo chega à mesa de avaliação sem nome, sem marca e sem origem. Os jurados não sabem se aquele queijo veio de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul ou de Santa Catarina, nem quem o produziu.
Sabem apenas o que têm diante de si: aparência, aroma, textura, equilíbrio e sabor. É assim que funciona o julgamento do Prêmio Queijo Brasil, considerado o maior concurso nacional dedicado aos queijos artesanais do país.
A avaliação às cegas existe justamente para que a qualidade seja o único critério de julgamento. Mas quem participa do processo como jurada, como é o caso de Patrícia Roza, sabe que o verdadeiro peso do concurso aparece depois que as medalhas são entregues.
Criado em 2014, o Prêmio Queijo Brasil reúne produtores de todas as regiões do país, além de especialistas, pesquisadores, técnicos e consumidores, todos em torno de um mesmo objetivo: valorizar o queijo brasileiro e quem está por trás dele. Nos próximos dias, o concurso acontece em Blumenau (SC), reunindo esse universo de gente ligada à produção artesanal.
Para muitos produtores, uma medalha não é apenas um selo bonito na embalagem. Ela abre portas para novos mercados, fortalece a confiança do consumidor e amplia oportunidades comerciais. Em várias propriedades rurais, esse reconhecimento representa a diferença entre manter ou não a atividade da família, investir na queijaria e convencer as novas gerações a continuar no campo.
O evento não se resume ao julgamento. Em paralelo, acontece o Festival Nacional do Queijo, com dezenas de expositores, palestras, oficinas, harmonizações e espaços de troca entre produtores, pesquisadores e profissionais da gastronomia — um ambiente em que tradição e inovação caminham lado a lado.
Produtores da Serra Gaúcha e do Rio Grande do Sul também vêm ganhando espaço nesse cenário, conquistando posições em concursos nacionais e internacionais e mostrando que técnica, terroir e dedicação colocam os queijos da região entre os melhores do Brasil.
Para quem julga, cada peça avaliada carrega meses de trabalho, conhecimento passado entre gerações e o esforço diário de famílias que optaram por continuar produzindo no meio rural. Avaliar um queijo, nesse contexto, nunca é apenas avaliar um alimento — é reconhecer pessoas, territórios e uma cultura que segue conquistando espaço na mesa dos brasileiros.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Leouve






