ESPMEXENGBRAIND
4 ago 2026
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🧀 Pesquisadores mediram algo no sangue de suecos para entender um hábito alimentar muito comum — e o resultado intriga cardiologistas.
Pesquisa
Uma análise internacional colocou em xeque uma ideia difundida há décadas sobre o consumo de derivados do leite.

Um estudo internacional conduzido por pesquisadores do The George Institute for Global Health, da Austrália, encontrou uma associação entre o consumo elevado de gordura láctea e um risco menor de doenças cardiovasculares.

A conclusão vem de uma análise que reuniu dados de 4.150 suecos com informações de outras 43 mil pessoas provenientes de 17 pesquisas realizadas nos Estados Unidos, na Dinamarca e no Reino Unido.

Em vez de perguntar aos participantes quanto leite, queijo, iogurte ou manteiga eles consumiam — método sujeito a falhas de memória, já que derivados do leite aparecem em uma enorme variedade de alimentos —, os cientistas optaram por medir diretamente os níveis de determinados ácidos graxos no sangue dos voluntários. Essa abordagem, segundo os autores, permitiu obter dados mais objetivos sobre a real ingestão de gordura láctea de cada pessoa.

A Suécia foi escolhida como um dos principais focos da pesquisa por ter um dos consumos de leite e laticínios mais altos do mundo. Os participantes suecos foram acompanhados por uma média de 16 anos, período em que os pesquisadores registraram a ocorrência de ataques cardíacos, derrames e outros problemas circulatórios graves, além de mortes por outras causas.

Depois de ajustar estatisticamente os resultados para fatores de risco já conhecidos — como idade, renda, estilo de vida, hábitos alimentares e presença de outras doenças —, o grupo com os níveis mais altos de ácidos graxos no sangue, refletindo maior ingestão de gordura láctea, apresentou risco cardiovascular mais baixo do que o grupo com níveis menores. Esse mesmo grupo também não mostrou risco aumentado de morte por outras causas.

Os pesquisadores são cautelosos quanto à extensão do achado. O estudo não quantificou o tamanho do impacto da gordura láctea sobre o risco cardiovascular, apenas identificou a associação estatística. “Embora as descobertas possam estar parcialmente influenciadas por outros fatores além da gordura láctea, nosso estudo não indica que a gordura láctea cause qualquer dano, per se”, afirmou o Dr. Matti Marklund, autor do estudo.

Os próprios autores destacam que o efeito da gordura láctea sobre a saúde pode variar conforme o tipo de alimento em que ela está presente — queijo, iogurte, leite ou manteiga —, já que cada um desses produtos carrega também outros nutrientes que podem compor uma dieta saudável.

A equipe já planeja os próximos passos da pesquisa: detalhar o efeito da gordura láctea isoladamente por tipo de alimento e compará-lo ao de gorduras provenientes de frutos do mar, nozes e azeites, cujos benefícios à saúde já são amplamente reconhecidos pela ciência.

O tema dialoga com uma mudança mais ampla na forma como a ciência avalia as gorduras alimentares.

As gorduras monoinsaturadas, antes vistas com desconfiança, hoje têm seus efeitos positivos consolidados pelos estudos: além de fortalecer o sistema cardiovascular, contribuem para a saúde óssea — favorecendo a absorção de vitamina D — e apresentam propriedades associadas ao combate a tumores, participando do processo de morte de células doentes, especialmente em casos de câncer de próstata.

Fonte: The George Institute for Global Health e nosso Content Partner Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ).

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Ciência do Leite

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