ESPMEXENGBRAIND
15 set 2026
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🏭 Uma decisão da dona de marcas queridas dos brasileiros mudou a rotina de uma cidade inteira na Europa. Entenda o que aconteceu.
Mondelēz
📉 Custos, concorrência e uma decisão difícil: o que levou uma das maiores empresas de alimentos do mundo a fechar as portas de uma unidade.

A Mondelēz International, dona de marcas como Oreo, Lacta e Bis, encerrou definitivamente a produção em uma de suas fábricas mais antigas.

A unidade, conhecida historicamente como Belin-LU e localizada em Château-Thierry, na França, produziu biscoitos por cerca de 90 anos — desde 1931 — até que, em 14 de novembro de 2025, às 9h35, a última peça saiu da linha de produção.

O fechamento chama atenção justamente pelo peso das marcas ligadas à companhia, mas é importante destacar: nem Oreo, nem Lacta, nem Bis eram fabricados ali. A fábrica francesa produzia biscoitos recheados e cobertos com chocolate de linhas como Pépito, Kango, Guet Apens e Oro Cereal, incluindo itens como Pockitos e Pockitos Maxi Croustillant. Ou seja, o fim da planta não interrompe a produção dessas marcas mais conhecidas pelo público brasileiro — que seguem sendo fabricadas normalmente em outras unidades do grupo.

A decisão da Mondelēz foi justificada por uma combinação de fatores. A empresa apontou a necessidade de investimentos pesados para modernizar máquinas e instalações, além de dificuldades estruturais do próprio prédio para receber novas linhas. Somaram-se a isso a perda de competitividade, a queda de volumes de produção, a perda de contratos com clientes, a inflação de insumos como açúcar e farinha, o aumento dos custos de energia e a forte concorrência das marcas próprias de supermercados — um conjunto de pressões que, segundo a companhia, tornou a operação pouco rentável.

O impacto humano foi significativo. No auge, a fábrica chegou a empregar cerca de 1.200 pessoas, segundo declaração do então ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, ao Parlamento francês. Nos últimos anos, porém, esse número já vinha caindo drasticamente, e a unidade operava com pouco mais de 60 funcionários permanentes antes do fechamento. Documentos oficiais registraram desligamentos escalonados: 12 em abril de 2025, 11 em junho, 30 em novembro e outros oito previstos para maio de 2026. Além dos contratados diretos, cerca de 20 trabalhadores temporários e outros 20 de empresas terceirizadas também tiveram seus postos ameaçados.

Antes de fechar as portas, a Mondelēz foi pressionada pela legislação francesa a buscar um comprador para a planta, mas a tentativa não teve sucesso. Parte da capacidade de produção foi redirecionada para outra fábrica da própria companhia, em La Haye-Fouassière, também na França, e discussões no Parlamento francês indicaram ainda a transferência de parte da produção para a República Tcheca.

Para quem acompanha o setor no Brasil, o dado mais relevante é justamente o que não mudou: a operação da Mondelēz no país segue firme e sem qualquer relação com o fechamento europeu. A companhia mantém mais de 8 mil trabalhadores no Brasil, distribuídos em duas grandes fábricas que juntas empregam mais de 5 mil pessoas — uma em Curitiba (PR) e outra em Vitória de Santo Antão (PE). É justamente essa segunda unidade que produz Bis, Sonho de Valsa, Oreo e Club Social, sendo classificada pela própria Mondelēz como sua terceira maior operação global e a maior operação de wafers de toda a cadeia de suprimentos da empresa. A Lacta, por sua vez, segue como a principal marca de chocolates do Brasil para a companhia, com presença centenária no país e produtos como Bis, Sonho de Valsa, Laka e Diamante Negro.

Em números globais, a Mondelēz registrou aproximadamente US$ 38,5 bilhões em receitas líquidas em 2025, opera mais de 130 fábricas e cerca de 320 armazéns ao redor do mundo, e emprega mais de 60 mil pessoas ligadas diretamente à área de suprimentos. O fechamento em Château-Thierry, portanto, representa o encerramento de um capítulo industrial específico — não um recuo da companhia na produção mundial de biscoitos e chocolates, e muito menos em sua operação brasileira.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Tempo Novo

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