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29 ago 2026
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🧀 Por décadas, ela esteve nas pizzas de São Paulo sem levar crédito — isso está mudando rápido.
Maria Eugenia Soares Cerchi, diretora administrativa e membro do Conselho de Administração da Scala: fabricante prevê receita acima de R$ 2 bilhões e amplia sua presença no varejo (Scala/Divulgação)
Maria Eugenia Soares Cerchi, diretora administrativa e membro do Conselho de Administração da Scala: fabricante prevê receita acima de R$ 2 bilhões e amplia sua presença no varejo (Scala/Divulgação)

Como a Scala queijos deixou de ser invisível para o consumidor.

Durante décadas, quem mordeu uma fatia de pizza numa pizzaria tradicional de São Paulo provavelmente comeu queijo Scala sem saber. A fabricante mineira, fundada em Sacramento em 1963, construiu sua reputação nos bastidores: fornecendo mussarela, manteiga e parmesão para restaurantes e food service, sem que o próprio consumidor final reconhecesse a marca na embalagem. Essa lógica está mudando — e rápido.

“É uma marca que está nos bastidores. Então muita gente não conhece”, resume Maria Eugenia Soares Cerchi, diretora administrativa e neta do fundador da empresa, hoje membro do conselho de administração. A frase captura o ponto de partida de uma reformulação estratégica que a companhia vem tocando nos últimos anos: sair do anonimato do B2B e disputar espaço direto nas gôndolas.

O motivo é simples e mensurável. Cerca de 70% do mercado de queijos no Brasil está concentrado no varejo — canal em que a Scala historicamente teve pouca presença. Em 2025, as vendas ao consumidor final representavam apenas 25% do faturamento da empresa, com a meta de chegar a 30% até o fim de 2027.

Não foi uma virada de uma tabacaria: exigiu um rebranding completo, pesquisas com consumidores e clientes B2B, e um projeto interno — que levou cerca de três anos e envolveu várias áreas da companhia — para mapear a jornada de compra em cada canal. O resultado já aparece nos números: atacado e varejo cresceram em dois dígitos nos últimos três anos.

A ofensiva comercial caminha junto com uma expansão física relevante. No ano passado, a Scala comprou o Laticínio Deale, no Rio Grande do Sul, somando duas fábricas à operação — que manterá a marca Deale, aproveitando sua força regional no mercado gaúcho.

Com isso, a companhia passou a operar sete unidades industriais: quatro em Sacramento (três de laticínios e uma de nutrição animal), uma em Salitre de Minas e as duas no Sul. A capacidade instalada já ultrapassa 1 milhão de litros de leite processados por dia, com cerca de 1.700 funcionários diretos, incluindo a força de merchandising.

Os números de faturamento acompanham o ritmo. Em 2024, a Scala fechou o ano com receita de R$ 1,4 bilhão. Para 2025, a meta era superar R$ 1,5 bilhão. Agora, a projeção para 2026 é ultrapassar R$ 2 bilhões — um salto que aproxima a empresa de outra meta declarada: dobrar de tamanho até 2030.

Por trás da aceleração, no entanto, está uma governança que se recusa a acelerar sem controle. Cerchi descreve a filosofia da empresa com a expressão “marcha das 20 milhas”, do autor Jim Collins: crescer de forma constante, sem surtos de expansão nos períodos favoráveis, preservando estrutura para atravessar momentos difíceis.

Os fóruns de governança começaram a ser organizados há mais de 20 anos; o conselho de administração, hoje deliberativo, e um conselho de sócios convivem com três conselheiros independentes — um nível de profissionalização pouco comum em empresas familiares desse porte no setor.

Parte dos investimentos recentes também não vai direto para a produção de queijo. A companhia aplicou R$ 50 milhões em uma estação de tratamento de efluentes com capacidade para gerar biometano, projeto que recebeu R$ 64,7 milhões em financiamento do BNDES via Fundo Clima e foi dimensionado para tratar 2.500 metros cúbicos de efluentes por dia.

A Scala afirma ainda manter cerca de 350 hectares de florestas plantadas e reciclar volume equivalente a 110% das embalagens que coloca no mercado.

O fio que conecta tudo isso é a origem: Nino, imigrante italiano que fugiu da guerra com a mãe viúva e quatro irmãos, comprou uma pequena fábrica de manteiga depois de trabalhar em padarias e restaurantes. Seis décadas depois, é a terceira geração da família — com Cerchi entre eles — que decide até onde a Scala pode crescer sem perder o controle sobre o próprio crescimento.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Exame

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