ESPMEXENGBRAIND
11 ago 2026
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📊 Enquanto muitas propriedades viram os custos disparar, outras mantiveram o equilíbrio financeiro — a diferença estava nos números que elas acompanhavam.
🐄 Entre 2025 e 2026, o preço do leite caiu — mas nem todas as fazendas sofreram do mesmo jeito. Entenda o que mudou o resultado final.
🐄 Entre 2025 e 2026, o preço do leite caiu — mas nem todas as fazendas sofreram do mesmo jeito. Entenda o que mudou o resultado final.

Entre meados de 2025 e abril de 2026, o preço do leite caiu no Brasil e colocou à prova a saúde financeira de milhares de propriedades.

Mas o resultado dessa crise não foi uniforme: um levantamento do gerente técnico do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), Marcelo Irala, mostra que a gestão por indicadores foi o fator que separou fazendas que preservaram sua rentabilidade daquelas que viram a margem desaparecer.

O primeiro número que expõe essa divisão é o Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne todos os desembolsos diretos do ciclo produtivo. A referência técnica indica que esse indicador não deveria ultrapassar 70% da receita bruta.

No período analisado, porém, muitas propriedades passaram dos 85%, um patamar que compromete o pagamento de custos fixos, a geração de caixa e a capacidade de investir. As fazendas mais eficientes, em contraste, conseguiram manter o COE dentro da faixa recomendada.

A alimentação do rebanho foi outro ponto de ruptura entre os dois grupos. Como o concentrado costuma representar a maior fatia do custo de produção, seu peso sobre a receita bruta se tornou decisivo: segundo Irala, não foi incomum encontrar propriedades destinando mais de 45% da receita só a esse item, enquanto as fazendas de melhor desempenho mantiveram esse percentual abaixo de 40% — reflexo direto de um manejo nutricional mais criterioso.

Essa mesma lógica aparece na Renda Menos Custo Alimentar (RMCA), indicador que mede a eficiência econômica da alimentação das vacas em lactação e que, idealmente, não deveria superar 50% da receita. Durante a crise, diversas propriedades chegaram a 60%. As mais eficientes, no entanto, permaneceram próximas da meta recomendada, resultado de ajustes no rebanho e no planejamento alimentar feitos ainda durante o período de preços baixos — não depois dele.

Irala chama atenção também para indicadores zootécnicos que, embora menos discutidos, ajudam a antecipar problemas antes que eles apareçam no caixa. A produção de leite por vaca orienta ajustes de dieta e ganhos de eficiência produtiva, enquanto os Dias em Lactação (DEL) permitem avaliar a eficiência reprodutiva do rebanho, identificar seu estágio produtivo e planejar ações de manejo com antecedência.

Há ainda um número que, segundo o levantamento, tem impacto direto sobre a saúde financeira da propriedade e que muitas vezes passa despercebido: o percentual de vacas em lactação em relação ao rebanho total.

É esse grupo — e não os animais em recria, cria ou período seco — que sustenta economicamente o sistema produtivo. O ideal é que ele represente entre 50% e 60% do rebanho, mas o levantamento identificou propriedades operando com índices inferiores a 35%, o que compromete diretamente a rentabilidade do negócio.

Por fim, a margem líquida aparece como o indicador que resume o retorno financeiro da atividade e que deveria orientar decisões sobre investimentos, expansão ou continuidade do negócio — sempre permanecendo acima do custo de oportunidade do produtor.

Para Irala, esses números deixaram de ser um diferencial e passaram a ser condição de permanência na atividade. “O produtor do futuro terá esses indicadores como metas permanentes de gestão. Quem acompanhar esses números e agir rapidamente diante das adversidades terá mais condições de preservar a rentabilidade e garantir a sustentabilidade do negócio”, afirma o especialista.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Jornal Tradição Regional

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