Mil bezerras da raça Girolando começam a ganhar identificação individual no Ceará, um passo que abre caminho para a distribuição desses animais a pequenos produtores de leite do estado.
A marcação ocorreu em agosto de 2026 na Agropecuária Vale do Castanhão, em Limoeiro do Norte, e faz parte do projeto Matrizes do Amanhã, conduzido pelo Sistema Faec/Senar em parceria com o Governo do Ceará.
A proposta é simples na origem, mas ainda incompleta nos detalhes: ampliar o acesso a animais de maior valor zootécnico para melhorar a genética dos rebanhos leiteiros cearenses. Para isso, os produtores interessados precisarão atender a critérios definidos pelo Senar — critérios que, até o momento, não foram detalhados publicamente.
Também não há informações sobre quantos animais serão destinados a cada propriedade, quais municípios serão contemplados ou quando as entregas efetivamente começarão.
Esse vazio de informações se repete no indicador mais citado sobre o programa: a expectativa de produção de cerca de 30 litros de leite por dia. As fontes consultadas não deixam claro se esse número se refere a cada animal individualmente ou ao desempenho médio dos rebanhos assistidos, e nenhuma metodologia de cálculo foi apresentada.
Na prática, o dado deve ser lido como uma projeção do programa, não como um resultado garantido — o desempenho real de cada animal vai depender de fatores como alimentação, sanidade, conforto térmico, manejo reprodutivo e disponibilidade de água, além do potencial genético.
A entrega das bezerras é apenas uma frente da estratégia genética do Sistema Faec/Senar no estado. Desde 2023, a entidade também mantém um programa de fertilização in vitro (FIV) em parceria com o Sebrae e empresas especializadas, voltado à distribuição de embriões selecionados a pequenos e médios pecuaristas.
A meta é alcançar a prenhez de duas mil matrizes; segundo a Faec, o programa já chegou a cerca de 60% desse objetivo em aproximadamente três anos de execução.
O investimento em genética leiteira acontece em paralelo a movimentos da Faec na pecuária de corte. A entidade prevê ações ligadas à instalação de um frigorífico em Iguatu, projetado para entrar em operação em 2028 com capacidade inicial estimada em 500 bovinos por dia — podendo chegar a mil.
A construção da unidade ainda depende da conclusão de procedimentos administrativos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Feed & Food






