Durante a 49ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, foi assinada a ata de criação da Associação das Queijarias do Queijo Colonial da Serra Gaúcha.
O documento foi firmado na sede da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), durante a apresentação do projeto de Indicação Geográfica (IG) para o queijo artesanal produzido nesse território.
A nova entidade reúne dez agroindústrias que processam seu próprio leite para transformá-lo em queijo colonial. Segundo o presidente da associação, Dainel Cichelero, o grupo tem a expectativa de agregar valor ao produto à medida que a cultura láctea avança no Rio Grande do Sul. Ele destaca que os diferenciais da região — altitude e microclima próprios da Serra — são parte do que sustenta essa busca por reconhecimento.
A Indicação Geográfica é o instrumento que está no centro dessa movimentação. Ao certificar a origem do queijo colonial, a IG valoriza não só o produto, mas a cultura e a autenticidade ligadas a um território específico, contando a história desse lugar através do alimento. Para os produtores, a criação da associação representa a construção de uma identidade coletiva capaz de abrir novos mercados.
O processo tem, além da base produtiva, uma frente de pesquisa e formação. Há dois anos, a pesquisadora Isabel Kasper, do curso de gastronomia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa), participa junto com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e os produtores de queijo colonial da Serra Gaúcha de um projeto voltado a trabalhar essa IG.
Segundo ela, a proposta busca um melhor reconhecimento tanto do produto quanto dos produtores, já que o saber-fazer do queijo artesanal está diretamente ligado a uma indicação de procedência. A pesquisadora avalia como positiva a inserção de alunos nas cadeias produtivas, um ganho tanto para quem produz quanto para quem estuda.
O técnico do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (Ddpa) da Seapi, Danilo Gomes, reforçou durante o encontro que a pesquisa agropecuária e a compreensão sobre a importância da IG passam a fazer parte mais diretamente do trabalho do grupo.
Já o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann, situou o momento dentro de um cenário mais amplo: o Rio Grande do Sul tem desafios pela frente, mas também oportunidades nos mercados nacional e internacional. Para ele, é preciso contar histórias verdadeiras e mostrar ao consumidor como o queijo colonial e os demais produtos lácteos gaúchos são produzidos. “Estamos no caminho certo”, afirmou.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Ciência do Leite






