Ranking de manteiga pode parecer um detalhe trivial, mas diz muito sobre algo essencial: como um produto simples varia — e muito — em qualidade, sabor e desempenho no dia a dia.
Cinco especialistas colocaram isso à prova ao testar, às cegas, 11 manteigas sem sal disponíveis em supermercados, entre marcas nacionais e importadas. A escolha pela versão sem sal não foi por acaso: segundo o técnico agrícola Ricardo Bonilla, o sal pode mascarar defeitos, dificultando uma avaliação mais precisa.
O resultado foi um retrato interessante de um mercado onde nem sempre preço alto significa melhor experiência — e onde textura, aroma e origem da matéria-prima fazem toda a diferença.
No topo do ranking ficou a President, que se destacou pelo equilíbrio sensorial. Com sabor levemente ácido, notas frutadas e amendoadas e boa cremosidade mesmo quando fria, foi a favorita para consumo direto, especialmente no pão.
Na sequência aparece a La Serenissima, com perfil mais suave: aroma fresco, sabor lácteo e textura firme, agradando de forma mais ampla. Logo atrás, a francesa Paysan Breton chamou atenção pela delicadeza e sensação de frescor, apesar do preço mais elevado.
Entre as marcas brasileiras, Tirolez e Aviação aparecem como opções consistentes, com bom desempenho geral, embora com pequenas limitações de textura — um fator que pesou na avaliação. Já Itambé e Batavo foram classificadas como neutras: cumprem bem o papel, mas sem se destacar, sendo indicadas principalmente para uso culinário.
Na parte inferior do ranking, os especialistas apontaram problemas mais evidentes. Marcas como Regina e Granarolo perderam pontos por características como sabor rançoso, textura inadequada ou notas artificiais. Já opções mais artesanais, como a Jersey de Itu, dividiram opiniões: sabor intenso e perfil mais rústico podem agradar ou afastar, dependendo da expectativa do consumidor.
O ponto central da análise vai além das marcas. Segundo Bonilla, a qualidade da manteiga começa na nata — o creme do leite. É a matéria-prima que define o potencial do produto final. Processos industriais podem ajustar textura ou estabilidade, mas não corrigem completamente uma base inferior.
Na prática, isso reforça uma lógica simples: manteiga é um produto de poucos ingredientes, onde pequenas diferenças na origem e no processamento se tornam perceptíveis no consumo.
Para o consumidor, o ranking funciona como um atalho. Em um ambiente de decisão rápida, como o supermercado, entender quais marcas entregam melhor equilíbrio entre sabor, textura e preço pode facilitar escolhas mais assertivas — seja para passar no pão ou para uso na cozinha.
No fim, escolher manteiga deixa de ser automático e passa a ser uma decisão com impacto direto na experiência à mesa.
🧈 1. President
Equilíbrio sensorial, notas frutadas e ótima cremosidade.
🥈 2. La Serenissima
Aroma fresco, sabor lácteo suave e textura firme.
🥉 3. Paysan Breton
Delicada, fresca e com textura untuosa.
4️⃣ Tirolez
Perfil equilibrado, leve toque amendoado, mas textura quebradiça.
5️⃣ Aviação
Sabor suave e herbal, boa textura inicial, mas esfarela.
6️⃣ Itambé
Neutra, homogênea e indicada para preparações.
7️⃣ Batavo
Sem defeitos marcantes, sabor simples e funcional.
8️⃣ Roni
Intensa, mais rústica e com acidez evidente.
9️⃣ Regina
Aroma forte e textura seca, com falhas de untuosidade.
🔟 Granarolo
Perde pontos por sabor artificial e textura ressecada.
1️⃣1️⃣ Jersey de Itu
Perfil artesanal, intenso e divisivo entre os jurados.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Capital Fm






