Danone aposta em mais proteína sem ampliar emissões de metano.
A Danone reforçou sua estratégia para atender à crescente demanda por proteína do leite sem aumentar as emissões de metano em sua cadeia de fornecimento. A empresa renovou até 2030 as metas da Jornada Flora, programa voltado à agricultura regenerativa que, no Brasil, já recebeu investimentos de R$ 10 milhões e contribuiu para reduzir em 43% o fator de emissão de metano da companhia desde 2020.
A revisão da estratégia ocorre em um momento de forte valorização do mercado global de proteínas lácteas. Segundo dados da StoneX citados pela empresa, o preço do concentrado de whey protein com 80% de proteína (WPC 80) aumentou 105% na União Europeia no último ano, alcançando € 22 mil por tonelada nas duas primeiras semanas de maio.
No mercado brasileiro, o consumo de alimentos concentrados em proteína também avançou. Dados da Abiad mostram crescimento de 11,4% em dezembro de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, reforçando um cenário de expansão para produtos com maior teor proteico.
De olho nesse movimento, a Danone intensificou sua atuação no segmento de alimentação funcional. Em junho, anunciou a aquisição do Made Group, empresa australiana especializada em bebidas proteicas e iogurtes funcionais. A companhia registrou vendas superiores a € 300 milhões no exercício encerrado em junho de 2026 e possui presença consolidada no Sudeste Asiático e na Nova Zelândia.
No Brasil, a marca YoPRO segue como principal aposta da empresa no segmento de alimentos proteicos. Segundo a Danone, o produto vem apresentando crescimento de dois dígitos nos últimos meses, refletindo uma demanda crescente por soluções nutricionais com maior concentração de proteínas.
Apesar desse desempenho, a empresa afirma que ainda não existem dados consolidados que permitam relacionar diretamente o crescimento das vendas ao aumento do uso das chamadas canetas emagrecedoras. A avaliação é que o mercado demonstra uma tendência consistente de maior procura por alimentos que combinem nutrição, saudabilidade e elevado teor proteico.
O desafio, entretanto, não está apenas em produzir mais leite. A companhia reconhece que elevar a produtividade mantendo o controle das emissões de gases de efeito estufa continua sendo um dos principais obstáculos para o setor.
Nesse contexto, a Jornada Flora tornou-se um dos pilares da estratégia de descarbonização da Danone. O programa reúne ações voltadas à agricultura regenerativa, bem-estar animal, eficiência produtiva e redução das emissões junto aos produtores rurais.
Como não possui fazendas próprias no Brasil, a empresa opera com uma rede de mais de 200 pequenos produtores responsáveis pela captação de aproximadamente 500 mil litros de leite por dia. Atualmente, 148 desses fornecedores participam da Jornada Flora, número que a companhia pretende ampliar para sustentar o crescimento da demanda de forma considerada sustentável.
Além da expansão do programa, a Danone estabeleceu como meta alcançar, até 2030, 45% dos ingredientes-chave provenientes da agricultura regenerativa. Paralelamente, mantém o objetivo de atingir Net Zero até 2050. Segundo a empresa, o fator de emissão de dióxido de carbono (CO₂) já registra redução de 50%.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Estadão






