De excedentes a estratégia: o salto das exportações lácteas chilenas.
As exportações lácteas do Chile alcançaram um recorde histórico em 2025, mas o dado mais relevante para a cadeia não está apenas no valor embarcado. O que chama atenção é a transformação da lógica que orienta a presença do setor nos mercados internacionais.
Durante apresentação no Chilelácteo 2026, o gerente da Exporlac, Guillermo Iturrieta, relembrou que a associação nasceu em 2003 quando produtores e indústria perceberam que estavam produzindo mais do que o mercado interno era capaz de absorver. Naquele momento, a exportação aparecia como uma alternativa para direcionar excedentes ao exterior.
Hoje, a visão apresentada é diferente. A atuação da entidade está centrada na construção das condições necessárias para ampliar a presença internacional das empresas lácteas chilenas.
Segundo Iturrieta, a missão da associação envolve o desenvolvimento de uma agenda sanitária voltada à habilitação de produtores e plantas industriais para atender às exigências dos diferentes mercados. Paralelamente, a entidade trabalha em uma agenda comercial destinada a ampliar espaços preferenciais dentro dos mais de 60 mercados com os quais o Chile possui acordos comerciais.
Essa evolução ajuda a explicar a trajetória observada na última década. Em 2015, as exportações lácteas chilenas somavam US$ 175 milhões. Em 2025, o setor atingiu um recorde histórico de US$ 324 milhões.
Na avaliação apresentada durante o evento, esse avanço foi impulsionado por dois fatores complementares. De um lado, ocorreu um forte aumento da produção. De outro, houve crescimento da demanda nos mercados de destino, criando condições para absorver maiores volumes de produtos lácteos.
Mais do que um resultado comercial, os números refletem uma mudança de posicionamento. A exportação deixa de ser apresentada como uma solução para excedentes ocasionais e passa a integrar uma estratégia baseada em acesso a mercados, habilitações sanitárias e desenvolvimento de oportunidades comerciais.
Para os empresários da cadeia láctea, a experiência exposta no Chilelácteo 2026 traz uma reflexão relevante. O crescimento das exportações depende apenas de produzir mais ou exige também a construção permanente de condições para competir em diferentes mercados?
A trajetória apresentada pela Exporlac sugere que o avanço das vendas externas está associado não apenas à capacidade produtiva, mas também ao trabalho contínuo de abertura e consolidação de destinos para os produtos lácteos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Diario Lechero






