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22 jun 2026
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🌎 Brasil reforça sua presença nas cadeias globais de proteína animal em um cenário de produção recorde e novos desafios.
FAO
📊 Produzir mais já não basta: relatório aponta desafios que podem definir a competitividade futura do setor.

A produção mundial de alimentos de origem animal alcançou uma expansão histórica nas últimas seis décadas.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a oferta global de carne, leite e ovos cresceu de forma acelerada entre 1961 e 2022, impulsionada pelo crescimento populacional, pela urbanização, pelo aumento da renda em economias emergentes e por mudanças nos hábitos alimentares.

Nesse cenário, o Brasil consolidou sua posição entre os principais protagonistas da proteína animal no mercado internacional. Mas o relatório indica que os desafios do setor já não se limitam ao aumento da produção.

Os dados mostram a dimensão dessa transformação. A produção mundial de carne passou de 71 milhões de toneladas em 1961 para 361 milhões de toneladas em 2022. No mesmo período, a produção global de leite alcançou 930 milhões de toneladas e a de ovos chegou a 94 milhões de toneladas.

A pecuária tornou-se um dos segmentos agrícolas de maior crescimento, influenciando padrões de consumo, cadeias globais de abastecimento e a segurança alimentar em diferentes regiões.

Entre os países de língua portuguesa, o relatório destaca o Brasil como um dos principais produtores e exportadores mundiais de carne bovina e carne de frango, além de ocupar posição relevante na produção de leite. Essa presença fortalece a influência do país nas cadeias globais de abastecimento de proteína animal e amplia sua importância estratégica no mercado internacional.

Ao mesmo tempo, a FAO chama atenção para o fato de que o protagonismo produtivo traz responsabilidades adicionais. O relatório associa a expansão da atividade pecuária a desafios relacionados ao desmatamento, às emissões de gases de efeito estufa e ao uso dos recursos naturais. A discussão sobre crescimento passa, portanto, a conviver com uma pressão crescente por modelos produtivos capazes de responder às questões ambientais.

Além das preocupações ligadas à produção, o estudo aponta que uma parcela importante do potencial gerado pela cadeia continua sendo perdida antes de chegar ao consumidor. Aproximadamente um terço de todos os alimentos produzidos no mundo é perdido ou desperdiçado. Entre os produtos de origem animal terrestre, as perdas representam cerca de 14% da produção.

Segundo a FAO, a perecibilidade dos alimentos, falhas logísticas e deficiências no controle de temperatura estão entre os principais fatores por trás dessas perdas. O problema é mais evidente em países de baixa e média renda, onde limitações de transporte, armazenamento e infraestrutura de refrigeração dificultam a conservação dos produtos ao longo da cadeia.

O relatório também destaca preocupações relacionadas à saúde pública e ao bem-estar animal, incluindo os riscos de doenças zoonóticas associadas à interação entre seres humanos e animais de criação. Esses fatores passam a integrar um conjunto mais amplo de desafios que acompanham a expansão da produção animal em escala global.

Embora o comércio internacional de alimentos de origem animal tenha avançado nas últimas décadas, ele ainda representa aproximadamente 10% do consumo global do setor. O dado sugere que a eficiência das cadeias nacionais e regionais continua sendo determinante para garantir abastecimento, reduzir perdas e ampliar a competitividade.

Nesse contexto, a mensagem do relatório vai além dos recordes produtivos. Para países com forte presença na proteína animal, como o Brasil, a próxima etapa do desenvolvimento do setor parece estar menos associada ao simples aumento da oferta e mais à capacidade de enfrentar desafios ambientais, reduzir ineficiências e fortalecer a gestão da cadeia como um todo.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Jornal Grande Bahia (JGB)

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