O leite de ovelha foi a alternativa encontrada por uma pequena propriedade de Lajeado Grande, no Oeste de Santa Catarina, quando ampliar a produção de leite de vaca deixou de ser uma opção.
Quinze anos depois, a Casa Bianchi mantém entre 800 e 900 animais, produz de 350 a 400 litros por dia e, segundo a proprietária Andressa Bianchi, está entre os três maiores produtores do segmento no Brasil.
A mudança não começou com um grande rebanho. Em 2011, chegaram apenas oito ovelhas à propriedade da família.
A escolha partiu de uma questão bastante concreta: como gerar mais valor em uma área pequena. Na avaliação dos proprietários, continuar com bovinos exigiria ampliar a produção ou elevar os investimentos na alimentação do gado. As ovelhas, por consumirem menos, apareciam como uma alternativa capaz de produzir um leite de maior valor agregado.
Durante alguns anos, bovinos e ovinos dividiram espaço. A virada definitiva veio em 2022, quando a família abandonou a bovinocultura e passou a se dedicar integralmente às ovelhas.
O ganho veio também de cada animal
A expansão do negócio não dependeu apenas do tamanho do rebanho. O melhoramento genético passou a fazer parte da estratégia da propriedade para elevar a rentabilidade.
A referência citada por Andressa é de aproximadamente 1,5 litro de leite por animal por dia. Na Casa Bianchi, a média chega a 2,2 litros.
É uma diferença que, para a proprietária, tem impacto direto no resultado. Mesmo pequenos acréscimos na produção diária de cada animal podem aumentar a rentabilidade do negócio.
A matéria-prima também deixou de ser apenas leite. A Casa Bianchi transforma a produção em queijos, doce de leite e licores, ampliando o aproveitamento dentro da própria propriedade.
Essa combinação entre produção e processamento ganhou ainda outro canal: o turismo de experiência. A família recebe grupos interessados em conhecer os processos da empresa, degustar os produtos e acompanhar a história da propriedade.
De uma propriedade local para diferentes pontos do Brasil
A Casa Bianchi conquistou autorização para comercialização nacional em 2022 e passou a alcançar diferentes pontos do país.
O contato com consumidores de outras regiões também aparece na participação da empresa no Startup Summit, em Florianópolis, onde esteve pela terceira vez. No evento, a propriedade apresenta seus derivados de leite de ovelha.
Segundo Andressa, consumidores que conheceram os produtos em edições anteriores retornam para comprar novamente. Na edição deste ano, o doce de leite levado pela empresa chegou a esgotar.
Para a proprietária, porém, o espaço para crescer ainda está principalmente dentro do próprio país. Antes de pensar em exportação, a Casa Bianchi vê um mercado interno a ser ampliado.
A trajetória da propriedade começou, portanto, com uma restrição: faltava espaço para expandir a atividade tradicional. A resposta foi trocar de atividade, especializar o rebanho e buscar mais produtividade por animal.
Hoje, a operação reúne 800 a 900 ovelhas, produção diária de 350 a 400 litros, melhoramento genético, fabricação de derivados e turismo de experiência — um modelo que transformou a limitação de área em parte da estratégia do negócio.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Lê Notícias






