ESPMEXENGBRAIND
10 ago 2026
ESPMEXENGBRAIND
10 ago 2026
📉 Enquanto os litros de leite se multiplicam, as famílias que vivem da atividade somem do campo. Um grupo técnico já discute soluções.
🐄 Especialistas reunidos em Curitiba apontam onde o Brasil perde dinheiro no caminho do leite até a indústria — e como reverter isso.
🐄 Especialistas reunidos em Curitiba apontam onde o Brasil perde dinheiro no caminho do leite até a indústria — e como reverter isso.

A cadeia produtiva do leite no Paraná está diante de um paradoxo que resume boa parte dos desafios do setor no Brasil:

A produção nacional dobrou na última década, mas o país perdeu 63% dos produtores de leite no mesmo período. O dado foi apresentado pelo presidente da Uniproleite/PR, Meysson Vetorello, durante a segunda reunião do Grupo Técnico responsável pela construção do Plano de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite no Paraná (PDCPL), realizada em 28 de julho na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba.

Vetorello, que também é produtor rural em Espigão Alto do Iguaçu, usou o encontro para colocar na mesa dois pontos que, segundo ele, ajudam a explicar por que tantas famílias estão saindo da atividade mesmo com o volume de leite crescendo: o custo logístico do transporte e a forma como o produtor é pago pela sua matéria-prima.

O primeiro gargalo está na distância percorrida entre a propriedade e a indústria. De acordo com os números apresentados por Vetorello, o Brasil transporta, em média, 58 litros de leite por quilômetro rodado. Em outros países, essa relação chega a 160 litros no mesmo trajeto — quase três vezes mais eficiente. Para o dirigente, melhorar essa logística é condição para o Brasil reduzir custos de produção, ganhar competitividade e diminuir a dependência de medidas antidumping para se proteger da concorrência externa.

O segundo ponto é a forma de remuneração. Hoje, a maior parte do leite brasileiro é paga por litro, enquanto países como a Nova Zelândia remuneram o produtor com base na quantidade de sólidos — principalmente gordura e proteína — presentes no leite. A diferença aparece nos números: a média brasileira desses dois componentes somados é de 6,92%, contra 9,23% na Nova Zelândia.

Na prática, isso significa menos aproveitamento industrial por litro coletado. “Aqui no Brasil, às vezes, são necessários 10 litros de leite para produzir um quilo de queijo. Na Nova Zelândia, com seis litros, produz-se um quilo. Quanto maior a quantidade de gordura e proteína, maior é o aproveitamento pela indústria”, explicou Vetorello.

Diante desse cenário, a Frimesa Cooperativa Central — cujo presidente, Elias Zydek, também comanda o Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite/PR) e conduziu a reunião — já planeja desenvolver projetos-piloto para começar a pagar o produtor com base na quantidade de sólidos entregues, e não apenas pelo volume.

Outra frente discutida pelo Grupo Técnico é a diversificação de renda dentro da propriedade leiteira, como forma de dar mais fôlego financeiro às famílias produtoras. Entre as alternativas citadas estão a criação e venda de novilhas, a comercialização de silagem e a prestação de serviços complementares à atividade leiteira.

O trabalho, segundo Vetorello, está organizado em três pilares — mercado, produção e indústria — e contou também com uma apresentação de Ayrton Spitz, de Santa Catarina, sobre as tendências do mercado de leite.

Participaram do encontro representantes do Sistema Ocepar, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), do Ministério da Agricultura e Pecuária no Paraná (Mapa/PR), do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), da Conceleite e da própria Uniproleite/PR.

Os próximos encontros do Grupo Técnico serão dedicados aos eixos de produção e indústria, com o objetivo de gerar propostas voltadas à melhoria da rentabilidade e à permanência das famílias na atividade. Todas as contribuições reunidas ao longo do processo serão consolidadas em um documento final, que também definirá responsabilidades, parceiros, indicadores, recursos e mecanismos de acompanhamento das metas propostas.

Segundo a Ocepar, a visão do PDCPL é transformar o Paraná no principal polo brasileiro de inovação, qualidade e competitividade no mercado de leite e derivados — um objetivo que, para o Grupo Técnico, passa necessariamente por resolver o descompasso entre o crescimento da produção e o esvaziamento do número de produtores.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Jornaldebeltrao.com.br

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta