Preço do leite avança com oferta restrita, mas demanda já mostra sinais de cautela.
O preço do leite voltou a subir no Brasil e alcançou em abril seu maior nível de 2026. O movimento reforça uma tendência que vem se consolidando desde o início do ano: a menor disponibilidade de matéria-prima no campo continua sendo o principal fator de sustentação do mercado.
Segundo levantamento do Cepea, a Média Brasil atingiu R$ 2,6584 por litro, registrando o quarto aumento mensal consecutivo. Apesar da recuperação observada nos últimos meses, o valor ainda permanece abaixo do registrado no mesmo período do ano passado quando considerados os preços corrigidos pela inflação.
A principal explicação para a valorização continua sendo a oferta mais limitada. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) recuou 3,4% entre março e abril e acumula queda de 14,6% em 2026. Além da sazonalidade típica do período, o Cepea aponta que menores investimentos dentro das propriedades vêm restringindo a capacidade de produção.
Esse cenário aumentou a competição entre laticínios pela compra de leite, ampliando a pressão sobre os preços pagos ao produtor. A menor disponibilidade de matéria-prima também repercutiu nos mercados industriais.
No atacado paulista, os derivados lácteos registraram forte valorização em abril. O leite UHT apresentou a maior alta frente ao mês anterior, seguido pela muçarela e pelo leite em pó fracionado. O movimento ocorreu em um ambiente marcado por estoques mais ajustados e menor oferta de leite cru.
Ao mesmo tempo, os custos de produção continuam avançando. O Custo Operacional Efetivo da atividade leiteira subiu em abril e acumula aumento no ano. As despesas com nutrição animal, sanidade e operações mecanizadas aparecem entre os principais fatores de pressão para os produtores.
Outro elemento que contribuiu para o equilíbrio do mercado foi a redução das importações de lácteos em abril. Embora o volume importado permaneça acima do observado no mesmo período de 2025, houve retração em relação ao mês anterior, reduzindo parte da pressão competitiva sobre a produção nacional.
No entanto, os sinais mais recentes indicam que a trajetória de valorização pode encontrar limites nos próximos meses. De acordo com os pesquisadores, a primeira quinzena de maio já mostrou perda de ritmo nos reajustes observados anteriormente.
A mudança não está relacionada a uma recuperação da oferta, mas ao comportamento da demanda. O mercado passou a registrar maior cautela nas negociações e um enfraquecimento do consumo na ponta final da cadeia.
O resultado é um cenário em que a oferta continua restrita e capaz de sustentar preços firmes no curto prazo, mas com menor espaço para movimentos acelerados de valorização. Para os agentes da cadeia láctea, a atenção passa a se dividir entre a disponibilidade de leite no campo e a capacidade do mercado de absorver novos aumentos ao longo dos próximos meses.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Canal Rural






