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2 jun 2026
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📈 A valorização dos lácteos chegou às gôndolas, enquanto consumidores enfrentam custos mais altos na cesta básica.
leite UHT
📊 Com queda na captação, os lácteos passaram a liderar a inflação alimentar observada nos supermercados.

O preço do leite UHT voltou a ocupar posição de destaque no varejo brasileiro em abril.

Mais do que uma alta pontual nas gôndolas, o movimento revela um cenário em que a valorização dos lácteos passa a conviver com um desafio crescente: preservar o consumo em um contexto de maior pressão sobre o orçamento das famílias.

Segundo levantamento da Neogrid, o leite UHT registrou aumento médio de 18,3% no país entre março e abril, passando de R$ 4,75 para R$ 5,62 por litro. No Sudeste, principal mercado consumidor brasileiro, a valorização foi ainda mais intensa, alcançando 20,19%.

O avanço dos preços ocorre em um momento em que produtos essenciais da alimentação também acumulam reajustes, ampliando o peso da cesta básica. Feijão, legumes, pão e queijos registraram aumentos no período, reforçando a concentração da inflação justamente em categorias de maior presença no consumo cotidiano.

Por trás da valorização do leite está um fator que afeta toda a cadeia: a menor disponibilidade de matéria-prima. Dados do Índice de Captação de Leite (ICAP-L) apontam recuo de 3,9% na coleta entre fevereiro e março e queda acumulada de 11,1% no primeiro trimestre de 2026.

De acordo com o levantamento, a redução da produção está associada à menor disponibilidade de pastagens e à cautela dos produtores diante das margens mais apertadas observadas ao longo de 2025. Com menos leite disponível e demanda mantida, os preços dos lácteos ganharam sustentação ao longo da cadeia até chegar ao consumidor final.

Esse movimento ajuda a explicar por que o leite se tornou um dos principais vetores da inflação alimentar observada em abril. A valorização não ficou restrita ao UHT. Os queijos também apresentaram alta, avançando de R$ 63,61 para R$ 65,12 no período.

No acumulado entre dezembro de 2025 e abril de 2026, o leite UHT registrou aumento de 21,7%, ficando atrás apenas dos legumes, que avançaram 25,3%. O feijão acumulou alta de 20,5%, enquanto ovos e carne bovina registraram aumentos de 13,4% e 6,6%, respectivamente.

A leitura para a cadeia láctea é que a menor oferta voltou a exercer papel determinante na formação dos preços. Ao mesmo tempo, o impacto crescente sobre o orçamento das famílias coloca o comportamento do consumo no centro das atenções do mercado.

No Sudeste, onde a valorização do leite superou a média nacional, os reajustes vieram acompanhados de movimentos distintos em outras categorias. Enquanto pão, arroz, creme dental e água sanitária registraram aumentos, itens como carne suína, ovos, açúcar, café e desinfetante apresentaram queda.

O resultado é um ambiente de mercado marcado por diferentes dinâmicas de oferta e demanda, mas no qual os lácteos assumiram protagonismo. A evolução da disponibilidade de leite e das condições de produção seguirá sendo um dos principais elementos para entender o comportamento dos preços ao longo de 2026.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal do Agronegócio

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